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domingo, 16 de setembro de 2018

O BANCO & A BOLHA

O banco tem um propósito único e exclusivo: ganhar dinheiro, obter lucro.
Mais nada. Tudo o que vai além disto é paisagem: – Marketing.
Cristo expulsou os vendilhões do templo, mas depois deixámo-los entrar de novo, aliciados pela promessa da riqueza fácil. Agora aí estão e dominam o mundo. Praticam a usura sob toda a forma de subterfúgios, com a máscara da benevolência.
Para atingir o objectivo do lucro, o banco utiliza todo o tipo de estratégias. Não importa quais, nem como, desde que garantam o máximo de ganho. Foi exactamente isso, porém, que esteve na origem da crise internacional do mercado imobiliário: – métodos inovadores, muito sofisticados, que levaram bancários à prisão quando percebemos que suas equações matemáticas tinham variáveis e incógnitas a mais.
Quando vemos o patrocínio de um banco num evento cultural ou num acto de benevolência social, podemos ter a certeza de que com o evento o banco está a ganhar dinheiro. Directa ou indirectamente. Antes ou depois.
Quando na TV ou em qualquer campanha de marketing lançada na comunicação social o banco faz o seu apelo à felicidade, à estabilidade financeira, à segurança familiar, ao amor, à confraternização… tudo isso não vai além da campanha de publicidade e o único objectivo mantém-se. Trata-se apenas de estratégia.
Quando o banco entra na casa das pessoas através dos média, das redes sociais, da comunicação em geral, veste a sua pele de cordeiro… promete a realização de sonhos, a garantia da felicidade, é ele que resolve os problemas das pessoas, garante o seu futuro, o dos seus filhos e o dos seus netos. É ele que lhe entrega as chaves do seu carro e tem a chave da garagem.
Por debaixo dessa máscara de benevolência e sinceridade quase altruísta, o banco esconde a sua face. Sob a pele de cordeiro labora uma máquina colossal empenhada dia e noite em garantir o objectivo único e ancestral.
O banco, o banqueiro, tem uma visão misantrópica de tudo o que vai além do seu propósito.
O banqueiro, o dono do banco e o seu exército de investidores e accionistas, é um espírito frio e calculista. As migalhas que reparte com aqueles que o sustentam são devidamente calculadas e contabilizadas, para serem reutilizadas na altura devida.
Quem ganha com o lucro do banco são os accionistas, os donos, os banqueiros, os presidentes e os conselhos de administração, os gestores, os administradores, e toda uma panóplia de gente bem instalada que vive à custa da obtenção de lucro do banco. Todos esses intervenientes laboram em prol do objectivo único de forma contínua e sem desvios. E têm que ser bem alimentados.
O cidadão comum é obrigado a fazer parte dos clientes do banco no mundo dos “mercados”.
A sua “relação” como banco é muitas vezes imposta logo à “nascença”, logo que inicia o seu processo de trabalho e de inserção social onde é obrigado a ter uma conta bancária. Sabe que hoje, no universo financeiro que domina a sociedade global, é o banco que fornece o capital às empresas, lhes dá “vida”, que lhes permite gerar a mais valia que sustenta os interesses comuns, da banca, das empresas, dos Estados e das pessoas.
Por isso o cidadão comum sabe que banco tem essa responsabilidade Social, e sabe também que o Estado deverá garantir que funciona de forma equitativa. O Banco deveria assumir claramente esse papel estrutural na sociedade contemporânea sem colocar em risco, devido à sua constante procura da maximização do lucro, a estabilidade financeira do mercado em que trabalha. Para seu bem e para o bem de todos.
Tudo isto faz parte do conhecimento comum que temos acerca do mundo das finanças e do mercado de capitais dominados pelos Grandes Bancos, pelas Grandes empresas e pelos Grandes Estados.
Estará tudo bem?
No caso da história “eu não assaltei o bpi - ensaio sobre a iniquidade” (1), a procura de uma solução equitativa entre as partes em litígio financeiro não funcionou porque o Estado deixou de representar o seu papel perante o indivíduo e a cidadania, subjugando a sua actuação aos manifestos interesses da banca e do poder económico. Porque motivo, perante a condição adversa imprevista, o banco está protegido e o cidadão não?
A Bolha também é uma doença crónica. Se não for devidamente tratada, não desaparece.
Não houve nenhuma guerra nem aconteceu nenhum cataclismo natural. O único desastre que aconteceu foi provocado pela ganância dos banqueiros.

O colapso dos mercados foi tão drástico que obrigou o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) — e o Banco Central Europeu (BCE) — a injetar centenas de bilhões de dólares e a baixar as taxas de juros. Os bancos centrais entraram em águas nunca antes navegadas de política monetária e fiscal. Foram medidas de choque que não chegaram à raiz do problema: os bancos estavam infectados por produtos, criados por matemáticos financeiros, que se baseavam em créditos oferecidos a pessoas que apresentavam renda incompatível com as prestações, passado recente de inadimplência, falta de documentação adequada, ou mesmo a devedores sem patrimônio, trabalho ou renda.
FONTE: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/05/economia/1501927439_342599.html

A crise foi gerada pelo excesso de crédito que financiou o imobiliário e o seu consumo até rebentar. Depois desvalorizou-o.
Para o “recomprar” a baixo preço.
Depois vai de novo revalorizar, com um novo ciclo de crédito.

Já está a acontecer. Apesar do “juro negativo”.

(1) https://www.antareseditores.pt/prelo

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Faro, 13 de Maio de 2018
Álvaro de Mendonça

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